Fui arenosa, movediça,
Por entre dedos, caia.
Tão porosa quanto corrediça
que com o vento, partia.
Depois rochosa, abscissa,
Racionalmente, sabia
que, furiosa e também maciça,
com o tempo, cederia.
Então frondosa e alagadiça,
Me molhava com alegria.
Chuvosa a nuvem que enfeitiça
e assim, a planta cria.
Impiedosa e maciça,
Havia seca quando se despedia.
-Nuvem bondosa, faça sua justiça!
Pacientemente, te esperaria.
Eu, penosa e assustadiça,
seu cheiro ainda sentia.
-Ditosa que nenhuma gota desperdiça,
derrama em mim a magia!
Logo, saudosa, iça
o coração que ainda batia.
Antes argilosa e submissa,
misturada, novamente, eu escorria.
Poderosa a alquimia.
Por sua via misteriosa,
assim, ao seu modo,
generosa, a vida cria.
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