domingo, 12 de julho de 2026

Lavanda

Deixe que eu me abandone, assim tão calma e lentamente.
Entre o silêncio das flores secas, na fresta da porta aberta.
O repouso honroso do soldado desertor, absolvido de toda culpa.
Sobre o chão, junto às cartas não respondidas, ainda fechadas.
Iluminado pela luz monótona do abajur, artificialmente amarelada.
Isso é a paz? 

Não sinto frio, não quero voltar, não espero, a ânsia se foi.
Leve, como havia escrito outrora no caminho da estrada sem fim.
Um abrigo para um viajante cansado, um lar para um exilado.
Podia ouvir as chamas que queimavam agora na memória,
Já não há calor. Sem combustão, uma parada entre os ponteiros.
Isso é a paz?

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